Falhas na pré-preenchida do IR 2025 podem levar à malha fina

A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2025, disponibilizada pela Receita Federal nesta terça-feira (1º), gerou preocupações entre contribuintes e especialistas. Apesar da promessa de facilitar o preenchimento, o documento apresentou inconsistências que, se não corrigidas, podem levar à malha fina.

Entre os principais problemas relatados estão:

  • Ausência de saldos bancários;
  • Informações incompletas sobre investimentos;
  • Falhas em dados de saúde;
  • Pegadinhas que podem passar despercebidas por quem confia integralmente nos dados fornecidos pelo sistema.

Principais falhas encontradas na declaração pré-preenchida

Segundo especialistas consultados pela imprensa, diversos pontos da pré-preenchida estão incorretos ou incompletos. Veja os principais:

  • Saldos bancários zerados em 31 de dezembro de 2024, mesmo quando há movimentação financeira.
  • Despesas médicas sem reembolso informado ou com valores divergentes.
  • Investimentos no Brasil e no exterior sem indicação de país de origem ou saldos finais.
  • Informações sobre imóveis e bens incompletas, com apenas os dados básicos do cartório.
  • Erros em CNPJs de fundos de investimento e trocas indevidas entre rendimentos isentos e tributáveis.
  • Contas canceladas aparecem com saldo zerado, sem aviso.
  • Dados de dependentes muitas vezes estão ausentes ou desatualizados.
  • Condições civis desatualizadas, como mudança de estado civil entre 2023 e 2024, não são detectadas automaticamente.

Essas falhas exigem que o contribuinte revise atentamente todos os campos da declaração, mesmo quando optar pelo modelo pré-preenchido.

Instabilidades afetaram sistema

A Receita Federal reconheceu, por meio de nota, que o sistema enfrentou instabilidades no dia do lançamento da pré-preenchida. Técnicos do Serpro e da Receita estão atuando para identificar e corrigir os problemas.

Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, José Carlos Fonseca, os saldos bancários só aparecem quando os bancos enviam as informações corretamente ao Fisco. Caso contrário, o campo fica zerado, cabendo ao contribuinte inserir os dados.

Especialistas recomendam cautela e revisão manual

Para a gerente de tributos da Grant Thornton, Danielle Spada e o consultor da mesma empresa, Alberto Procópio, os erros não impedem o envio da declaração, mas exigem atenção. Ambos reforçam que a responsabilidade final pelas informações é do contribuinte, mesmo com o uso da pré-preenchida.

Eles sugerem que os contribuintes aguardem alguns dias antes de transmitir a declaração, a fim de garantir que todas as fontes de dados tenham sido atualizadas no sistema.

Já Richard Domingos, da Confirp Contabilidade, chama a atenção para as despesas médicas, principais causas de retenção em malha fina. A ausência de reembolsos ligados a planos de saúde pode induzir o contribuinte ao erro.

O especialista em IR da IOB, Valdir Amorim, também relatou falhas nos dados bancários e ausência de contas vinculadas a dependentes, o que compromete a fidelidade da pré-preenchida.

Revisão é essencial para evitar penalidades

A utilização da declaração pré-preenchida é uma ferramenta útil, mas não substitui a conferência cuidadosa das informações. Especialistas alertam que confiar exclusivamente na versão fornecida pela Receita pode resultar em erros graves, multas e retenção em malha fina.

O prazo para envio da declaração do IRPF 2025 vai até 30 de maio. O contribuinte que perder o prazo está sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

Com informações da Folha de S. Paulo

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